Parece coisa de “Blade Runner”. Clima de filme noir, mas com fundo tropical made in GDF. Uma chuva que não pára, um frio perturbador, e uma vontade de permanecer horas na mesa do Beirute, bebendo cerveja, comendo quibe frito e jogando papo fora com os conhecidos. Agora que colaboro com uma rádio, não raro chamo El Brujo para tomar uma no bar, que fica ao lado, e comentar certas debilidades do passado. Não chegamos a conclusão alguma, e continuamos reclamando das mesmas pessoas, quando não de nós mesmos ou da tal da vida.
O garçom chega com mais uma cerveja e dois quibes. A chuva não dá moleza. E ainda tenho um monte de coisas para serem resolvidas. Mas é como diz a boa e velha máxima: "no retreat, no surrender"...
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Diálogo com Estranhos...
Fui ao Beirute da Asa Norte para tomar uma cerveja com El Brujo. Lá pelas tantas, com os neurônios a nadar em uma piscina etílica, começo a conversar com uma mulher mais jovem. Jornalista como eu. Falamos de literatura, de cinema, de pessoas que não gostam de Brasília. E eis que ela solta a primeira bomba (na forma de uma pergunta, e não de um pum, caro leitor):
“Como é SER divorciado???”
A princípio, fiquei com aquela cara de debilitado mental, olhando para os lados para ter certeza de que não estava escutando vozes de um Além de bêbados.
“Como é o quê?...”
“É. Como é SER divorciado? Você sente falta de algo? Você tem uma rotina nova? Como é?”
“Não, não. Tá tudo normal. Normal mesmo...”
“Cadê a tua aliança???”
Dear Lord...
Tirei meu colar de penduricalhos e mostrei a aliança que dele pendia. A mulher não acreditou.
“Você ainda guarda isso?...”
“Qual o problema”, perguntei.
“Muito estranho, muito estranho. Isso não traz maus fluidos, não?”
“Isso depende se você vai estar na minha cama pela manhã...”
Isso era uma piada. Mas ela não riu, prova de que não entendeu picas (isto, aliás, também foi uma piada, caro leitor...).
“Como é SER divorciado???”
A princípio, fiquei com aquela cara de debilitado mental, olhando para os lados para ter certeza de que não estava escutando vozes de um Além de bêbados.
“Como é o quê?...”
“É. Como é SER divorciado? Você sente falta de algo? Você tem uma rotina nova? Como é?”
“Não, não. Tá tudo normal. Normal mesmo...”
“Cadê a tua aliança???”
Dear Lord...
Tirei meu colar de penduricalhos e mostrei a aliança que dele pendia. A mulher não acreditou.
“Você ainda guarda isso?...”
“Qual o problema”, perguntei.
“Muito estranho, muito estranho. Isso não traz maus fluidos, não?”
“Isso depende se você vai estar na minha cama pela manhã...”
Isso era uma piada. Mas ela não riu, prova de que não entendeu picas (isto, aliás, também foi uma piada, caro leitor...).
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
A tal amizade nessas horas...
Não que eu tenha passado a informação pela rede de computadores ou feito das tripas coração para que um pequeno texto explicativo fosse publicado no Diário Oficial. Poucos souberam da separação e do divórcio. Alguns já vinham observando a situação (de perto ou de longe); outros souberam por mim ou pela ex. Mas o fato é que a maioria dos nossos conhecidos só soube meses depois. Convenhamos: não é algo que você anuncia da mesma maneira que o faz quando alguém nasce ou veste o paletó de madeira. E mais: alguns pouco ligariam pra isso.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Acabou em pizza...
Oficializamos o divórcio em um cartório da Asa Sul. Estavam presentes as partes interessadas, as testemunhas, a advogada e os demais oficiais de justiça. O escrevente tinha um nome estranho. A operação custou 60 mangos – com direito a piadinha do responsável pelo caixa do cartório. Também fizeram piadinhas – que, estas sim, surtiram mais efeito – o escrevente (que, aliás, era a cara do vilão do novo filme do 007...) e a advogada. A papelada só tinha um longo páragrafo, com palavras que nem eu utilizaria em meus textos.
Piadinha vai, piadinha vem, e tivemos de marcar um novo encontro no cartório para assinar tudo novamente; isso porque, segundo o tal vilão do 007, um livro de registro de cartório só pode ter, no máximo, 200 páginas, e a nossa papelada continha as páginas 201 e 202. São os tais grandes perfumes nos tais pequenos frascos. Em outras palavras, menos fashion, pequenos detalhes que criam grandes merdas e enormes dores de cabeça.
O fato é o seguinte: sou oficialmente mais um divorciado em Hardcore Brasília.
À noite, já no apartamento, que ainda dividimos, comemoramos o fim da papelada com uma deliciosa pizza metade vegetariana, metade calabresa. Eu paguei.
Piadinha vai, piadinha vem, e tivemos de marcar um novo encontro no cartório para assinar tudo novamente; isso porque, segundo o tal vilão do 007, um livro de registro de cartório só pode ter, no máximo, 200 páginas, e a nossa papelada continha as páginas 201 e 202. São os tais grandes perfumes nos tais pequenos frascos. Em outras palavras, menos fashion, pequenos detalhes que criam grandes merdas e enormes dores de cabeça.
O fato é o seguinte: sou oficialmente mais um divorciado em Hardcore Brasília.
À noite, já no apartamento, que ainda dividimos, comemoramos o fim da papelada com uma deliciosa pizza metade vegetariana, metade calabresa. Eu paguei.
Operação Vácuo do Divórcio
Eu estava na casa do Bruxo, comendo um sanduíche de salaminho e bebendo Mate Leão, quando adentramos, ao som de Judas Priest, um terreno jamais explorado por nossas mentes no que concerne ao divórcio. O fato é que não raro eu me sinto catapultado para uma dimensão monótona, sem barulho, movimento ou sensação de perigo. Nada acontece e a imobilidade me parece normal. Nada me vem à mente quando penso no futuro. Tento viver um dia de cada vez, evitando planos e fomentando sonhos. Às vezes é um saco; às vezes é apenas uma sucessão de pensamentos que não fazem muito sentido. Dane-se: isso tudo deve fazer sentido em algum momento.
Comi mais um sanduíche. Depois descemos e fomos beber uma cerveja no boteco.
Comi mais um sanduíche. Depois descemos e fomos beber uma cerveja no boteco.
Meus Quatro Dias Sozinho
A ex viajou. Foi pra São Paulo a trabalho, com direito a hospedagem no Hilton. De minha parte, ainda estava saindo de um quadro de febre e sinusite, mas já apresentava sinais de calmaria, a ponto de sair todo dia para resolver algum assunto. Assisti a filmes, desenhei, escutei música, baixei muita porcaria da internet, saí para beber no sábado em bares freqüentados por hippies e pagodeiros, falei muita besteira (isso não muda tão rápido assim depois de um divórcio), comi no Sky’s, escrevi, arrumei a casa, lavei a louça.
No domingo, após mais um temporal, saí em direção ao aeroporto para buscar a ex. O lugar estava apinhado, eu estava cansado. Comprei uma Coca-Cola e fiquei observando os casos bizarros da normalidade social: velhos com pigarro, crianças obesas, peruas de plástico com seus Blackberries bling-bling. Um circo a cada cinco metros.
O avião chegou no horário. A ex estava cansada. Eu ainda estava cansado. Durante o trajeto de volta, ela falou e eu permaneci calado, emitindo um grunhido aqui e ali.
E assim acabaram meus quatro dias de solidão.
No domingo, após mais um temporal, saí em direção ao aeroporto para buscar a ex. O lugar estava apinhado, eu estava cansado. Comprei uma Coca-Cola e fiquei observando os casos bizarros da normalidade social: velhos com pigarro, crianças obesas, peruas de plástico com seus Blackberries bling-bling. Um circo a cada cinco metros.
O avião chegou no horário. A ex estava cansada. Eu ainda estava cansado. Durante o trajeto de volta, ela falou e eu permaneci calado, emitindo um grunhido aqui e ali.
E assim acabaram meus quatro dias de solidão.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Apaixonado pela Fabíula Nascimento
Ano vem, ano vai, e mulheres não param de serem eleitas musas do verão ou algo que o valha. Com Fabíula Nascimento é diferente. A atriz é a versão feminina do Robert de Niro, no melhor dos sentidos, é claro. Tanto faz se está gorda ou magra em filmes e peças de teatro. O tesão é o mesmo e não vai embora. Um dia, perguntei para El Brujo o que ele achava da atriz, e ele respondeu que achava ela bem gostosa. “Deve ser simpática”, completou. Isso é raro em se tratando de El Brujo. Geralmente, ele tem uma desconfiança natural do meio artístico. Acha que qualquer ator ou atriz que faz sucesso acaba indo trabalhar para uma grande emissora de televisão, vende a alma por um apartamento na Barra da Tijuca e alguns vales-sushi e pronto, começa a atuar em péssimas produções. No final, ainda segundo El Brujo, viram “papagaios”, que só repetem o que o contrato lhes permite.
Não sei se concordo plenamente com meu confidente. Ainda tenho esperanças quanto à Fabíula Nascimento...
Não sei se concordo plenamente com meu confidente. Ainda tenho esperanças quanto à Fabíula Nascimento...
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