A procura por um apartamento menor continua. Visitei alguns para aluguel, outros para venda. Quitinetes, na maioria. Semana passada, visitei um apartamento de quarto e sala, cuja proprietária tem uma conhecida em comum. Marquei a visita para a tarde do sábado. Lá chegando, fui recebido com rapapés fora do comum, além de um copo d’água. A boa senhora – que mora com dois gatos (os animais, diga-se de passagem, e não gogo boys catados na rua...) pedia 1300 mangos de aluguel. Pombas! Por 1300 mangos, prefiro ficar neste, no qual pago 100 mangos a mais e tenho, além de três quartos, sala e dependência de empregada, duas vagas na garagem e um depósito (aquele que apelidei de “Minha Guantánamo”...). Não pago IPTU, conheço o porteiro, e tenho a vantagem de morar no segundo andar (ao contrário do quarto e sala da boa senhora, que fica no sexto andar, mas cujo elevador só vai até o quinto...).
Mas a história não termina aqui. A boa senhora queria alugar o imóvel mobiliado. E onde diabos eu iria colocar minhas cinco estantes recheadas de livros e filmes? O pior é que quase todos os móveis e objetos dela são do tipo “não-toca-que-quebra”: cristaleira, taças, pequenos objetos de cerâmica, e por aí vai. A boa senhora ainda veio com uma história de que deixaria as taças de champanhe no caso de eu querer servir um champanhe pra namorada. Quem sou eu para ter grana para ser gasta em champanhe pra namorada? Acabei de me divorciar, porra!!! Uma pena, pois a vista era legal e o lugar, calmo.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Queime o Éden por nós, Lux!!!
Noite de Beirute abarrotado de gente esquisita. Sentados no meio da fuzarca, eu e El Brujo já estamos na sétima Original. Qualquer ameaça externa será repelida na base do tapão na mesa e do xingamento à la Toshiro Mifune. Não é uma noite como as outras. Mais um ícone do rock bateu as botas, e estamos tristes. Por que diabos essa vida se livra dos melhores, e teima em deixar a corja – políticos, publicitários, apresentadores, âncoras, entre outros – curtindo na base da sombra e da água fresca? Com a morte de Lux Interior, vocalista do The Cramps, estamos, eu e El Brujo, mais uma vez órfãos. Ficamos órfãos umas três ou quatro vezes por ano, e, à medida que os anos passam, essa proporção de morte desnecessária só cresce. Com Lux, entretanto, o baque é mais forte. Adeus mistura de ficção científica, fetiches, sexo e rockabilly em uma única forma de arte. Adeus Lux introduzindo um clip dos Ramones. Adeus Lux lambendo o salto-alto de Poison Ivy enquanto esta atira riffs tal qual atiradora caolha de canivetes envenenados. Encolhedores de cabeças do mundo, uni-vos e chorai!
Memória Lacrada tal qual Drácula em Hibernação
Resolvi fazer umas arrumações nas fotos antigas. Muita coisa de Pitboyland. Muita foto bizarra. Muita gente que não vejo há décadas. Comprei dois grossos álbuns, coloquei as fotos lá dentro e customizei o todo. Quanto à maioria das fotos da ex, juntei todas e coloquei em uma caixa junto com os demais pequenos objetos – papéis, postais, lembranças – relacionadas à ex. Depois peguei a dita caixa e passei quatro ou cinco voltas de fita crepe, na qual escrevi, com o pincel atômico negro, “D”. Não resolveu muita coisa, mas é menos uma coisa com a qual se preocupar. Tenho certeza de que, mais dia, menos dia, vou ter de guardar a caixa em outro lugar. E aí as memórias virão como enxurrada de dilúvio.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Poema de um Divorciado IV (rascunho)
Muito louco fiquei quando a décima cerveja tomei
Meu estômago estava vazio e do sofá levantei
Com o corpo desequilibrado as escadas desci
Adentrei o Demônio Azulado mas o iPod esqueci
Por tesourinhas e playboys aos urros passei
E para minha máxima glória no Giraffa’s sentei
Pedi dois Cheesefrangos e um milkshake
E pousei meu alvo traseiro ao lado de uma garota de peitos fake
“Boa noite”, disse eu, todo babão
Ela não respondeu e me deu um belo tapão
Naquela mesa engordurada uma lição aprendi
Jamais fale com estranhos e nunca imite o Didi
Meu estômago estava vazio e do sofá levantei
Com o corpo desequilibrado as escadas desci
Adentrei o Demônio Azulado mas o iPod esqueci
Por tesourinhas e playboys aos urros passei
E para minha máxima glória no Giraffa’s sentei
Pedi dois Cheesefrangos e um milkshake
E pousei meu alvo traseiro ao lado de uma garota de peitos fake
“Boa noite”, disse eu, todo babão
Ela não respondeu e me deu um belo tapão
Naquela mesa engordurada uma lição aprendi
Jamais fale com estranhos e nunca imite o Didi
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Façam suas apostas!
Apartamento de El Brujo. Quase meia-noite. Bebemos uma das quatro garrafas de Famous Grouse adquiridas pelo insólito anfitrião em um leilão da Receita Federal. Lembramos da cena final de Romeo is Bleeding: simplesmente aterradora, com um Gary Oldman no auge, e Ornette Coleman de fundo. Lembramos da época em que enchíamos os cornos de Keep Cooler e achávamos aquilo o máximo. Lembramos de como éramos inocentes imbecis. É meio contraditório, confesso, mas costumo ser muito mais disciplinado e atento em fases nas quais, em princípio, tenho mais liberdade. Parecemos dois piratas abandonados em alguma ilha do Pacífico. Lá fora, o Destino. E a mesma horda de alienados de sempre. Cantamos “Somewhere Over the Rainbow” a plenos pulmões. Aquela vizinha chata que se dane; não vai durar muito mesmo, tem mais é que curtir a vida. Será que vou voltar a fumar? Será que vou me transformar no galinha que costumava ser? Será que vou engordar comendo muita junk food e pizza da Dom Bosco nas noites de sexta? Será que vou me enfurnar no apartamento tal qual aquele barbudo tristonho sem amigos? Ouvimos o Bone Machine de Tom Waits e ficamos com inveja. Ouvimos um disco do Keith Jarret mas tiramos antes que acabe – não foi feito para ser escutado nesses momentos. No lugar, colocamos o disco com a trilha da série Mr. Lucky, composta por Mancini. Over and out. Por enquanto.
Algo Assim...
Não é exatamente recomeçar do zero. Já existe uma certa base, tanto física, quanto emocional; sem falar nos detalhes práticos, tais como um teto seguro, um meio de transporte confiável, uma geladeira com comida dentro, dinheiro no banco, e alguma comunicação com o mundo exterior.
Ainda assim, a impressão de andar em terreno novo, pouco explorado, permanece à medida que as horas, os dias, as semanas, passam; à medida que uma nova rotina se impõe de maneira discreta. Os primeiros dias são os mais estranhos. Você fica em casa, não tem ninguém com quem conversar sobre amenidades, ninguém com quem dividir o café preto, ninguém com quem falar enquanto prepara o jantar, ninguém com quem assistir ao noticiário. Bem estranho. Isso muda aos poucos, com a tal rotina, mas mesmo assim você sente a diferença. Você tenta preencher a lacuna com leituras, música, estações de rádio, discos antigos na vitrola, filmes de terror vistos dezenas de vezes, mas não é e nunca vai ser a mesma coisa. Por mais que a nova rotina venha acompanhada de alguma esperança e de ar fresco, você se sente cerceado, indeciso quanto a algum dilema que convive contigo.
O resto está por vir.
Ainda assim, a impressão de andar em terreno novo, pouco explorado, permanece à medida que as horas, os dias, as semanas, passam; à medida que uma nova rotina se impõe de maneira discreta. Os primeiros dias são os mais estranhos. Você fica em casa, não tem ninguém com quem conversar sobre amenidades, ninguém com quem dividir o café preto, ninguém com quem falar enquanto prepara o jantar, ninguém com quem assistir ao noticiário. Bem estranho. Isso muda aos poucos, com a tal rotina, mas mesmo assim você sente a diferença. Você tenta preencher a lacuna com leituras, música, estações de rádio, discos antigos na vitrola, filmes de terror vistos dezenas de vezes, mas não é e nunca vai ser a mesma coisa. Por mais que a nova rotina venha acompanhada de alguma esperança e de ar fresco, você se sente cerceado, indeciso quanto a algum dilema que convive contigo.
O resto está por vir.
Poema de um Divorciado III (rascunho)
El Brujo comprou um saco de Doritos
E aquela pinga que na minha boca não entra
El Brujo esqueceu a pizza de sexta
Mas trouxe Killer Pecans e cigarros de menta
Eu não fumo mas tenho cinzeiro
Eu não tomo Martinis mas tenho coqueteleira
Eu sou apenas mais um divorciado
Que procura encher a carteira
E aquela pinga que na minha boca não entra
El Brujo esqueceu a pizza de sexta
Mas trouxe Killer Pecans e cigarros de menta
Eu não fumo mas tenho cinzeiro
Eu não tomo Martinis mas tenho coqueteleira
Eu sou apenas mais um divorciado
Que procura encher a carteira
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