Só liguei uma semana depois. A história já estava enchendo o saco e queria tirar aquilo a limpo. Não houve preparação alguma, não respirei fundo, sequer pensei nas conseqüências. Apenas disquei os números e esperei alguém atender.
"Alô."
"Sim, boa tarde. Poderia falar com (nome), por favor?"
"Quem gostaria?"
"Um amigo..."
Ouvi uma conversa abafada ao longe, em seguida o barulho característico de quem pega o aparelho de telefone com movimentos bruscos.
"Alô."
"Oi, tudo bem?"
"Oi..."
E a conversa começou. Para minha surpresa, tudo não passou de um susto; uma daquelas fases em que a pessoa quer ficar sozinha, pensar na vida, listar os problemas e tentar achar alguma solução. Ela disse que ia me ligar. Claro. Elas sempre iam te ligar. Meia hora mais tarde, estávamos tomando chopp e caipirinha em um boteco barulhento da Asa Sul. mas foi só. No dia seguinte, mais desculpas. Teve de sair para tal lugar, para comprar tal coisa, esqueceu o celular em casa, foi uma correria. Já estou acostumado.
Não nos vimos mais. E não houve outro telefonema.
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Uma Questão de Matizes (Parte 2: Great Balls ON Fire...)
Novo telefonema de El Brujo no meio da noite, entre um texto e outro.
"Cara, o Minotauro não adiantou. Acordei com a mesma ardência, e parece que agora a coisa toda cai mesmo, cara!"
"Minancora. Ok, ok. Acho que achei a solução. Tem um remédio chamado Dermodex Tratamento. É uma pomada. Parece que é tiro e queda..."
"Espero que não..."
"Você entendeu. Pode transformar tuas partes baixas em clone do Marcel Marceau novamente, mas aplica uma camada generosa. Em 24 horas, você vai estar curado. Parentes meus garantiram."
"Cacete! Mais uma pomada?! Já foi patético passar aquela outra gosma, agora você me vem com uma história de ‘camada generosa’?! Isso é tortura, cara!!"
"Não é tortura, é sacrifício por um objetivo maior. Dermodex. Mas vê se compra o genérico, ok?"
"Ok. Droga."
Uma hora mais tarde.
"Ainda bem que a farmácia aqui do lado é 24 horas."
"Agora passa isso e vai dormir."
"Isto daqui não arde?"
"Só por alguns segundos, depois deixa a coisa anestesiada."
"Pra sempre?..."
"Vai dormir, cara..."
"Ok. Valeu mais uma vez."
Algumas pessoas não sabem onde metem o pau. Outras não sabem o pau que tem. E ainda tem aquela pessoa que merece um pau por cada pecado cometido.
Para todas as outras, existe Visa.
"Cara, o Minotauro não adiantou. Acordei com a mesma ardência, e parece que agora a coisa toda cai mesmo, cara!"
"Minancora. Ok, ok. Acho que achei a solução. Tem um remédio chamado Dermodex Tratamento. É uma pomada. Parece que é tiro e queda..."
"Espero que não..."
"Você entendeu. Pode transformar tuas partes baixas em clone do Marcel Marceau novamente, mas aplica uma camada generosa. Em 24 horas, você vai estar curado. Parentes meus garantiram."
"Cacete! Mais uma pomada?! Já foi patético passar aquela outra gosma, agora você me vem com uma história de ‘camada generosa’?! Isso é tortura, cara!!"
"Não é tortura, é sacrifício por um objetivo maior. Dermodex. Mas vê se compra o genérico, ok?"
"Ok. Droga."
Uma hora mais tarde.
"Ainda bem que a farmácia aqui do lado é 24 horas."
"Agora passa isso e vai dormir."
"Isto daqui não arde?"
"Só por alguns segundos, depois deixa a coisa anestesiada."
"Pra sempre?..."
"Vai dormir, cara..."
"Ok. Valeu mais uma vez."
Algumas pessoas não sabem onde metem o pau. Outras não sabem o pau que tem. E ainda tem aquela pessoa que merece um pau por cada pecado cometido.
Para todas as outras, existe Visa.
terça-feira, 28 de julho de 2009
Uma Questão de Matizes
Já passava da meia-noite em Pitboyland. Havia chovido um pouco, e ventado um pouco. Eu me preparava para tombar na cama quando recebi o telefonema de El Brujo, Sumo-Sacerdote do Rock em Hardcore Brasília. O homem estava desesperado.
“Cara, está tudo perdido! Acabou, cara! Acabou!!!”
“Calma, El Brujo. O que aconteceu?”
“Eu não sei cara. A coisa toda apenas aconteceu. Num momento estava tudo funcionando normalmente. E na manhã seguinte, o caos começou com força total!!!”
“Como assim?!”
“Minhas partes baixas estão uma bagunça, cara! Minhas bolas estão vermelhas, minha virilha está com alguma espécie de urticária, sei lá, cheia de bolotinhas ou espinhas! Maldito seja o sexo ocasional, cara! Chegou minha vez, cara, eu sei que chegou!!! Meu pau vai cair!!!”
“Calma aí! Você tá sentindo muita dor ou viu algum sangramento?”
“A coisa toda tá coçando sem parar! Não sei o que diabos fazer, cara!”
“Você tem Minancora em casa?”
“Minotauro?”
“Não, seu débil mental, MINANCORA! Aquele pote pequeno laranja com o desenho de um marinheiro!”
“Sei lá, porra! Peraí, deixa eu ver se tenho isso lá no banheiro, te ligo daqui a pouco...aiiii...”
Uns cinco minutos se passaram, durante os quais pensei nos meus problemas com as mulheres e minhas pseudo-angústias acerca do sexo ocasional. Talvez um divorciado como eu devesse mesmo ser enviado para alguma caverna longe da civilização e das mulheres. Eu estava a ponto de desenvolver tal projeto quando – feliz ou infelizmente – o telefone tocou novamente.
“Ei, sou eu. Eu encontrei o tal do Minotauro e...”
“Minancora...”
“Isso. Uma pomada, né? Pois é: lambuzei aquilo tudo na região afetada. Ardeu um pouco, mas acho que aliviou aos poucos. Tomara que melhore. Acho que era uma assadura ou algo do tipo. Achava que isso só dava em criança. Agora minhas partes baixas estão tão brancas que mais parecem o rosto do Marcel Marceau. Enfim: valeu, cara. Você salvou meus dias novamente. Te devo mais essa. Talvez mande aquele meu bootleg raro do AC/DC pelo Sedex. A máquina vai voltar à ativa, cara!”
“Cara, está tudo perdido! Acabou, cara! Acabou!!!”
“Calma, El Brujo. O que aconteceu?”
“Eu não sei cara. A coisa toda apenas aconteceu. Num momento estava tudo funcionando normalmente. E na manhã seguinte, o caos começou com força total!!!”
“Como assim?!”
“Minhas partes baixas estão uma bagunça, cara! Minhas bolas estão vermelhas, minha virilha está com alguma espécie de urticária, sei lá, cheia de bolotinhas ou espinhas! Maldito seja o sexo ocasional, cara! Chegou minha vez, cara, eu sei que chegou!!! Meu pau vai cair!!!”
“Calma aí! Você tá sentindo muita dor ou viu algum sangramento?”
“A coisa toda tá coçando sem parar! Não sei o que diabos fazer, cara!”
“Você tem Minancora em casa?”
“Minotauro?”
“Não, seu débil mental, MINANCORA! Aquele pote pequeno laranja com o desenho de um marinheiro!”
“Sei lá, porra! Peraí, deixa eu ver se tenho isso lá no banheiro, te ligo daqui a pouco...aiiii...”
Uns cinco minutos se passaram, durante os quais pensei nos meus problemas com as mulheres e minhas pseudo-angústias acerca do sexo ocasional. Talvez um divorciado como eu devesse mesmo ser enviado para alguma caverna longe da civilização e das mulheres. Eu estava a ponto de desenvolver tal projeto quando – feliz ou infelizmente – o telefone tocou novamente.
“Ei, sou eu. Eu encontrei o tal do Minotauro e...”
“Minancora...”
“Isso. Uma pomada, né? Pois é: lambuzei aquilo tudo na região afetada. Ardeu um pouco, mas acho que aliviou aos poucos. Tomara que melhore. Acho que era uma assadura ou algo do tipo. Achava que isso só dava em criança. Agora minhas partes baixas estão tão brancas que mais parecem o rosto do Marcel Marceau. Enfim: valeu, cara. Você salvou meus dias novamente. Te devo mais essa. Talvez mande aquele meu bootleg raro do AC/DC pelo Sedex. A máquina vai voltar à ativa, cara!”
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Brainwash...
Ainda estou em dívida com El Brujo. Alguns textos já ficaram prontos, outros serão finalizados neste final de semana. Aos poucos, a engrenagem volta a funcionar com força total. Long Live El Brujo!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Pitboyland - Semana Zero
Me mudei para Pitboyland; de mala, cuia e agendas. Mais notícias até o final do mês...
quarta-feira, 24 de junho de 2009
terça-feira, 16 de junho de 2009
Pré-Obituário
Sim. Por mais incrível que isso soe, divorciados pensam em morte. Ocasionalmente, pelo menos, como qualquer outra pessoa. Outro dia, pensei em como eu poderia me apresentar – ou melhor, ser apresentado – na hora do velório. Eu queria estar vestido com meu jeans, minha camiseta do AC/DC, meia e tênis (ou botas). Até aí nada de anormal, até porque aqueles que me conhecem sabem que eu não sou muito chegado em vestir terno. O toque de originalidade ficaria por conta de um daqueles adesivos que entregam em certos vôos internacionais: redondo, preto e com a frase “DO NOT DISTURB”. Bem que podiam colar um desses no meu caixão, na minha urna de cinzas, ou até na minha testa.
Prometo não reclamar.
Prometo não reclamar.
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