Encontrei um na 409 Norte. É uma quitinete direitinha, mas vou ter de me livrar da máquina de lavar roupa, logo o item mais prático para um recém-divorciado. A máquina é boa, funciona bem, não é daquela de tambor vertical que destrói qualquer peça de roupa. O novo apartamento em questão fica perto de um Big Box, o que apenas contribui para a praticidade da mudança.
Tem 32 metros quadrados, espaço suficiente para as minhas tralhas. O lado ruim é que não tem garagem, e muito menos um depósito: isso quer dizer que vou ter de me livrar de muita coisa; papelada, em sua maioria. A ex me aconselhou a me livrar das fitas de filmes VHS, mas o fato é que já viraram antigüidade e eu, na condição de cinéfilo colecionador, tenho a maior dificuldade em me livrar de peças raras. Os arquivos de jornais devem ir para o lixo de primeira, sem que eu sequer pense em guardá-los. Ainda não sei se o rack da Tok&Stok que suporta a televisão vai caber no novo apartamento. A mesa do computador certamente será descartada, junto com o carrinho preto que suporta alguns arquivos. Vou usar algumas estantes de ferro e o armário antigo – que, atualmente, serve para guardar os CDs – como separação para os dois ambientes, o quarto de dormir e a sala.
Vou visitar a coisa toda amanhã de manhã e tirar algumas fotos.
Também vou verificar alguns das quadras 900 Norte...Nada maus...
terça-feira, 17 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
Meu Diário, Minha Perdição
O final de semana foi passado na companhia dos meus papéis. As agendas, principalmente. Pela última contagem, já são 25 diários e agendas, todos recheados de memórias, afazeres domésticos, reações, decepções, aflições, recortes, besteiras, trechos de textos, manchas de café e duas ou três raríssimas incursões escritas por parte de outras pessoas. Capazes de queimar o filme de muita gente – não necessariamente boa –, esses diários formam parte do meu legado neste planeta. Azar de quem não gostou. Sorte de quem chegou a ler. A simples visão dos diários ordenados em um das prateleiras já causa um calafrio na espinha. Que diabos eu estava pensando quando eu comecei com essa história de agenda e de diário? Certamente não era para imitar aquelas débeis mentais W.A.S.P. glorificadas por filmes de adolescentes da década de 1980. Tampouco era para me divertir. A única resposta coerente para tal obsessão é medonha: loucura.
Eu cheguei a mostrar uma das agendas para El Brujo. Ele percorreu as páginas em silêncio, depois deu um gole na cerveja e disse: “cara, tu é mais maluco do que eu pensava...”.
De fato.
Eu cheguei a mostrar uma das agendas para El Brujo. Ele percorreu as páginas em silêncio, depois deu um gole na cerveja e disse: “cara, tu é mais maluco do que eu pensava...”.
De fato.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
E esse apartamento? Sai ou não sai?
A procura por um apartamento menor continua. Visitei alguns para aluguel, outros para venda. Quitinetes, na maioria. Semana passada, visitei um apartamento de quarto e sala, cuja proprietária tem uma conhecida em comum. Marquei a visita para a tarde do sábado. Lá chegando, fui recebido com rapapés fora do comum, além de um copo d’água. A boa senhora – que mora com dois gatos (os animais, diga-se de passagem, e não gogo boys catados na rua...) pedia 1300 mangos de aluguel. Pombas! Por 1300 mangos, prefiro ficar neste, no qual pago 100 mangos a mais e tenho, além de três quartos, sala e dependência de empregada, duas vagas na garagem e um depósito (aquele que apelidei de “Minha Guantánamo”...). Não pago IPTU, conheço o porteiro, e tenho a vantagem de morar no segundo andar (ao contrário do quarto e sala da boa senhora, que fica no sexto andar, mas cujo elevador só vai até o quinto...).
Mas a história não termina aqui. A boa senhora queria alugar o imóvel mobiliado. E onde diabos eu iria colocar minhas cinco estantes recheadas de livros e filmes? O pior é que quase todos os móveis e objetos dela são do tipo “não-toca-que-quebra”: cristaleira, taças, pequenos objetos de cerâmica, e por aí vai. A boa senhora ainda veio com uma história de que deixaria as taças de champanhe no caso de eu querer servir um champanhe pra namorada. Quem sou eu para ter grana para ser gasta em champanhe pra namorada? Acabei de me divorciar, porra!!! Uma pena, pois a vista era legal e o lugar, calmo.
Mas a história não termina aqui. A boa senhora queria alugar o imóvel mobiliado. E onde diabos eu iria colocar minhas cinco estantes recheadas de livros e filmes? O pior é que quase todos os móveis e objetos dela são do tipo “não-toca-que-quebra”: cristaleira, taças, pequenos objetos de cerâmica, e por aí vai. A boa senhora ainda veio com uma história de que deixaria as taças de champanhe no caso de eu querer servir um champanhe pra namorada. Quem sou eu para ter grana para ser gasta em champanhe pra namorada? Acabei de me divorciar, porra!!! Uma pena, pois a vista era legal e o lugar, calmo.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Queime o Éden por nós, Lux!!!
Noite de Beirute abarrotado de gente esquisita. Sentados no meio da fuzarca, eu e El Brujo já estamos na sétima Original. Qualquer ameaça externa será repelida na base do tapão na mesa e do xingamento à la Toshiro Mifune. Não é uma noite como as outras. Mais um ícone do rock bateu as botas, e estamos tristes. Por que diabos essa vida se livra dos melhores, e teima em deixar a corja – políticos, publicitários, apresentadores, âncoras, entre outros – curtindo na base da sombra e da água fresca? Com a morte de Lux Interior, vocalista do The Cramps, estamos, eu e El Brujo, mais uma vez órfãos. Ficamos órfãos umas três ou quatro vezes por ano, e, à medida que os anos passam, essa proporção de morte desnecessária só cresce. Com Lux, entretanto, o baque é mais forte. Adeus mistura de ficção científica, fetiches, sexo e rockabilly em uma única forma de arte. Adeus Lux introduzindo um clip dos Ramones. Adeus Lux lambendo o salto-alto de Poison Ivy enquanto esta atira riffs tal qual atiradora caolha de canivetes envenenados. Encolhedores de cabeças do mundo, uni-vos e chorai!
Memória Lacrada tal qual Drácula em Hibernação
Resolvi fazer umas arrumações nas fotos antigas. Muita coisa de Pitboyland. Muita foto bizarra. Muita gente que não vejo há décadas. Comprei dois grossos álbuns, coloquei as fotos lá dentro e customizei o todo. Quanto à maioria das fotos da ex, juntei todas e coloquei em uma caixa junto com os demais pequenos objetos – papéis, postais, lembranças – relacionadas à ex. Depois peguei a dita caixa e passei quatro ou cinco voltas de fita crepe, na qual escrevi, com o pincel atômico negro, “D”. Não resolveu muita coisa, mas é menos uma coisa com a qual se preocupar. Tenho certeza de que, mais dia, menos dia, vou ter de guardar a caixa em outro lugar. E aí as memórias virão como enxurrada de dilúvio.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Poema de um Divorciado IV (rascunho)
Muito louco fiquei quando a décima cerveja tomei
Meu estômago estava vazio e do sofá levantei
Com o corpo desequilibrado as escadas desci
Adentrei o Demônio Azulado mas o iPod esqueci
Por tesourinhas e playboys aos urros passei
E para minha máxima glória no Giraffa’s sentei
Pedi dois Cheesefrangos e um milkshake
E pousei meu alvo traseiro ao lado de uma garota de peitos fake
“Boa noite”, disse eu, todo babão
Ela não respondeu e me deu um belo tapão
Naquela mesa engordurada uma lição aprendi
Jamais fale com estranhos e nunca imite o Didi
Meu estômago estava vazio e do sofá levantei
Com o corpo desequilibrado as escadas desci
Adentrei o Demônio Azulado mas o iPod esqueci
Por tesourinhas e playboys aos urros passei
E para minha máxima glória no Giraffa’s sentei
Pedi dois Cheesefrangos e um milkshake
E pousei meu alvo traseiro ao lado de uma garota de peitos fake
“Boa noite”, disse eu, todo babão
Ela não respondeu e me deu um belo tapão
Naquela mesa engordurada uma lição aprendi
Jamais fale com estranhos e nunca imite o Didi
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Façam suas apostas!
Apartamento de El Brujo. Quase meia-noite. Bebemos uma das quatro garrafas de Famous Grouse adquiridas pelo insólito anfitrião em um leilão da Receita Federal. Lembramos da cena final de Romeo is Bleeding: simplesmente aterradora, com um Gary Oldman no auge, e Ornette Coleman de fundo. Lembramos da época em que enchíamos os cornos de Keep Cooler e achávamos aquilo o máximo. Lembramos de como éramos inocentes imbecis. É meio contraditório, confesso, mas costumo ser muito mais disciplinado e atento em fases nas quais, em princípio, tenho mais liberdade. Parecemos dois piratas abandonados em alguma ilha do Pacífico. Lá fora, o Destino. E a mesma horda de alienados de sempre. Cantamos “Somewhere Over the Rainbow” a plenos pulmões. Aquela vizinha chata que se dane; não vai durar muito mesmo, tem mais é que curtir a vida. Será que vou voltar a fumar? Será que vou me transformar no galinha que costumava ser? Será que vou engordar comendo muita junk food e pizza da Dom Bosco nas noites de sexta? Será que vou me enfurnar no apartamento tal qual aquele barbudo tristonho sem amigos? Ouvimos o Bone Machine de Tom Waits e ficamos com inveja. Ouvimos um disco do Keith Jarret mas tiramos antes que acabe – não foi feito para ser escutado nesses momentos. No lugar, colocamos o disco com a trilha da série Mr. Lucky, composta por Mancini. Over and out. Por enquanto.
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