terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Colchão e Rádio
Doei a cama japonesa para a Casa do Ceará. Que façam bom proveito e ajudem a reforçar os vínculos entre aquela corajosa região tupiniquim e a milenar ilha nipônica. Quanto a mim, durmo no colchão que sobrou. A ex ia levá-lo para a kitchnet, mas descobriu, atônita, que o colchão é 10 centímetros mais largo que a estrutura da cama. Ficou comigo. Também cancelei a NET e resolvi usar os 150 mangos mensais referentes à conta da mesma em assuntos mais culturalmente rentáveis, tais como filmes, discos, gasolina e cervejas no Beirute da Asa Norte. Assim, fico com a televisão – que permanece desligada quase que o dia inteiro – mas escuto muito mais rádio (aliás, rádio é prático: você não precisa ficar com os olhos colados numa tela, e pode fazer outras coisas enquanto o locutor fala de um bando de assunto diferente...).
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Poema de um Divorciado (rascunho)
Adeus Noites passadas diante da novela
Adeus Faxina de final de semana
Glória a Ti, Ó Filme de terror regado a cerveja e Jack Daniels
Glória a Vós, Ó Detentores de Ruffles, Doritos e costelinhas gordurosas
Adeus Ignóbil Ana Maria Braga das manhãs de dia útil
Adeus Romances cinematográficos inspirados na impiedosa Jane Austen
Glória a Ti, Ó Beirute da Asa Norte
Glória a Vós, Ó Coleção Brasileirinhas
Adeus Fofocas acerca do BBB
Adeus Acessos de Raiva pelo telefone
Glória a Ti, Ó El Brujo de um prédio discreto
Glória a Mim, Divorciado, Desempregado e Pseudo-Priápico
Adeus Faxina de final de semana
Glória a Ti, Ó Filme de terror regado a cerveja e Jack Daniels
Glória a Vós, Ó Detentores de Ruffles, Doritos e costelinhas gordurosas
Adeus Ignóbil Ana Maria Braga das manhãs de dia útil
Adeus Romances cinematográficos inspirados na impiedosa Jane Austen
Glória a Ti, Ó Beirute da Asa Norte
Glória a Vós, Ó Coleção Brasileirinhas
Adeus Fofocas acerca do BBB
Adeus Acessos de Raiva pelo telefone
Glória a Ti, Ó El Brujo de um prédio discreto
Glória a Mim, Divorciado, Desempregado e Pseudo-Priápico
domingo, 18 de janeiro de 2009
Another Void...
O apartamento está praticamente vazio. Sala vazia. Quarto vazio. Cama de casal prestes a ser vendida. Sinceramente, não sei como me comportar diante dos objetos que estão indo embora. Na minha “Guantanamo” – o depósito cercado de grades localizado na garagem – não vai demorar para que eu jogue muito papel no lixo; arquivos de pouca utilidade, contas e demais documentos que já passaram da validade.
Vou dormir algum tempo no sofá-cama quebrado até comprar um colchão de casal padrão; o que, no meu caso, não deixa de ser irônico. Vou ter de arrumar outro aparelho de DVD, já que o Home Theatre era da ex. Quanto à procura por um novo – e menor – apartamento, olhei alguns em uma quadra da Asa Norte e gostei do que vi. No dia seguinte, soube que a polícia havia desbaratado uma quadrilha de traficantes de drogas na mesma quadra; mas ninguém foi preso, já que as quantidades encontradas com os membros eram pequenas demais para uma prisão.
Para completar o quadro, assisti a uma reportagem na televisão segundo a qual imobiliárias e construtoras não investiam muito em apartamento de quarto e sala, pois os lucros não eram os melhores. Em outras palavras: meu oásis ainda parece estar longe, enquanto o número de miragens só aumenta.
Vou dormir algum tempo no sofá-cama quebrado até comprar um colchão de casal padrão; o que, no meu caso, não deixa de ser irônico. Vou ter de arrumar outro aparelho de DVD, já que o Home Theatre era da ex. Quanto à procura por um novo – e menor – apartamento, olhei alguns em uma quadra da Asa Norte e gostei do que vi. No dia seguinte, soube que a polícia havia desbaratado uma quadrilha de traficantes de drogas na mesma quadra; mas ninguém foi preso, já que as quantidades encontradas com os membros eram pequenas demais para uma prisão.
Para completar o quadro, assisti a uma reportagem na televisão segundo a qual imobiliárias e construtoras não investiam muito em apartamento de quarto e sala, pois os lucros não eram os melhores. Em outras palavras: meu oásis ainda parece estar longe, enquanto o número de miragens só aumenta.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Mas como ia dizendo...
Eu e El Brujo abrimos uma cerveja. Já passava da meia-noite, o ar estava abafado e Noel Coward despejava uma canção tesuda em meio a livros, discos, contas atrasadas, recortes de jornais e objetos insólitos. A vida certamente tinha seus momentos de revolta, mas isso não a impedia de ter seus minutos de esplendor.
“Isso é único...”, suspirou El Brujo após um gole.
“Com certeza. Eu baixei algumas coisas dele...”
“Eu quase não acho discos desse sujeito em Hardcore Brasília.”
“Ou do Bobby Short...”
“É, mas acho que tenho uma fita com uma gravações do Short no Carlyle...”
“Sei, já ouvi. Eu até procurei um DVD na Barnes&Noble mas não tinha no estoque.”
O silêncio se fez novamente, em respeito a Coward. Mas aquela era Hardcore Brasília, e até pessoas geniais tais como Noel Coward e Bobby Short precisavam arregaçar as manguinhas para serem respeitadas pelos temíveis hombres candangos.
“Que calor filho-da-puta, hein?!”, vociferou El Brujo.
“Ainda bem que existe cerveja gelada.”
“Isso é único...”, suspirou El Brujo após um gole.
“Com certeza. Eu baixei algumas coisas dele...”
“Eu quase não acho discos desse sujeito em Hardcore Brasília.”
“Ou do Bobby Short...”
“É, mas acho que tenho uma fita com uma gravações do Short no Carlyle...”
“Sei, já ouvi. Eu até procurei um DVD na Barnes&Noble mas não tinha no estoque.”
O silêncio se fez novamente, em respeito a Coward. Mas aquela era Hardcore Brasília, e até pessoas geniais tais como Noel Coward e Bobby Short precisavam arregaçar as manguinhas para serem respeitadas pelos temíveis hombres candangos.
“Que calor filho-da-puta, hein?!”, vociferou El Brujo.
“Ainda bem que existe cerveja gelada.”
Aqueles momentos em que o cérebro pára...
Tive sorte em fazer a bateria do demônio Azulado funcionar. A manhã estava quente, o Demônio Azulado estava um forno e minha paciência estava esgotada. Ainda tinha de levar a ex para o trabalho, já que seu carro sofrera uma tentativa de arrombamento e a porta do motorista exibia um rombo de chave de parafuso. Até pensei que 2009 seria apenas uma repetição de 2008, mas isso era exagero. O Destino não seria tão pouco original comigo. De qualquer maneira, peguei a Esplanada dos Ministérios, deixei a ex no prédio de traços monótonos e voltei para a via que me levaria de volta pra casa. O vento e a música ajudavam bastante, mas eu pensava em absolutamente nada. Nenhum projeto, nenhum desejo, nenhuma forma de alegria com relação à nova fase. Imobilidade cerebral. Neurônios tomando água mineral com gás em um copo com bastante gelo.
Tudo estava calmo em casa.
Tudo estava calmo em casa.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Hardcore Brasília nas Garras de El Brujo
Após duas semanas em Pitboyland, estava de volta à capital. Pronto para um recomeço daqueles, cheio de coisa pra resolver, mas sempre contando com o apoio do principal embaixador de Hardcore Brasília, El Brujo. Mal havia chegado em casa, coloquei as malas num canto, desci até a garagem e entrei no Demônio Azulado. Quando cheguei ao folclórico prédio de El Brujo, o Mendigo Iluminado estava lá, falando sozinho e fumando um cigarrinho qualquer. “Pois é, essa crise vai levar o mundo pro buraco. Mas não sou eu quem vai cavar...”.
Subi os lances de escada e toquei a campainha. Acho que estava tocando Dean Martin. El Brujo abriu a porta ao mesmo tempo em que segurava uma coxinha de padaria em uma das mãos.
“Voltou, foi?”
“Pois é. Tem cerveja gelada?”
“Porra, abri a última pra acompanhar esta coxinha. Vai lá na cozinha...”
“Valeu.”
A cerveja estava especial. Nada como cerveja em Hardcore Brasília. O papo começou de maneira calma, sem ir com muita sede ao pote. Mulheres, projetos, nacos de desespero e demais medos semanas antes da mudança para outro apartamento. Agora que a ex já arranjou uma kitchnet pra ela, começo a procurar apartamento para mim. Ainda não sei se vai ser um esquema quarto-e-sala ou algo menor. Tenho muitos livros, muitos discos, muito papel, oito estantes ao todo; além dos móveis do escritório, o rack pra televisão, a própria televisão, e um sofá-cama. Até dormiria em um simples colchão no chão, mas até isso está indefinido.
“Já achou algum?”
“Tem um na 314 Norte. Ótimo, pequeno, todas as minhas coisas cabem lá dentro, e ainda é calmo. Só não tem garagem, mas o porteiro segura as pontas e passa confiança.”
“Quanto?”
“Quase 200 paus. Mas acho que o cara faz por menos se pagarmos à vista.”
“Meio caro, mas é um investimento.”
“Com certeza.”
Quando a cerveja e as coxinhas de padaria acabaram, decidimos passar pelo Beirute da Norte. Entramos no Demônio Azulado – que, aliás, após duas semanas parado, começara a dar sinais de cansaço – e pegamos o Eixinho. Não tivemos dificuldade para estacionar. Começamos com uma Original, quatro quibes fritos e uma discussão sobre a polêmica frase da mais recente protegée de Sílvio Santos, Maisa: “...eu gosto de um pobrinho...”.
Afinal, a noite era uma criança.
Subi os lances de escada e toquei a campainha. Acho que estava tocando Dean Martin. El Brujo abriu a porta ao mesmo tempo em que segurava uma coxinha de padaria em uma das mãos.
“Voltou, foi?”
“Pois é. Tem cerveja gelada?”
“Porra, abri a última pra acompanhar esta coxinha. Vai lá na cozinha...”
“Valeu.”
A cerveja estava especial. Nada como cerveja em Hardcore Brasília. O papo começou de maneira calma, sem ir com muita sede ao pote. Mulheres, projetos, nacos de desespero e demais medos semanas antes da mudança para outro apartamento. Agora que a ex já arranjou uma kitchnet pra ela, começo a procurar apartamento para mim. Ainda não sei se vai ser um esquema quarto-e-sala ou algo menor. Tenho muitos livros, muitos discos, muito papel, oito estantes ao todo; além dos móveis do escritório, o rack pra televisão, a própria televisão, e um sofá-cama. Até dormiria em um simples colchão no chão, mas até isso está indefinido.
“Já achou algum?”
“Tem um na 314 Norte. Ótimo, pequeno, todas as minhas coisas cabem lá dentro, e ainda é calmo. Só não tem garagem, mas o porteiro segura as pontas e passa confiança.”
“Quanto?”
“Quase 200 paus. Mas acho que o cara faz por menos se pagarmos à vista.”
“Meio caro, mas é um investimento.”
“Com certeza.”
Quando a cerveja e as coxinhas de padaria acabaram, decidimos passar pelo Beirute da Norte. Entramos no Demônio Azulado – que, aliás, após duas semanas parado, começara a dar sinais de cansaço – e pegamos o Eixinho. Não tivemos dificuldade para estacionar. Começamos com uma Original, quatro quibes fritos e uma discussão sobre a polêmica frase da mais recente protegée de Sílvio Santos, Maisa: “...eu gosto de um pobrinho...”.
Afinal, a noite era uma criança.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Escolhas Perdidas em meio a Timidas Explosões
Após muitos anos, passei o Natal e o Réveillon no Rio, com a família. Conhecia os meandros nada agradáveis de outros tempos: canícula infernal, as ruas apinhadas de turistas (nacionais e internacionais), transporte público digno de uma cena de “Duro de Matar”, cobranças de familiares, as mesmas perguntas sobre a minha vida, a nova avalanche de perguntas acerca da separação, e por aí vai. Serviu para esfriar a cabeça e juntar material para textos, desenhos e demais projetos. A ex ficou em Brasília, de pois foi passar as festas em Gramado e demais cidades do Sul.
Eu tinha algumas escolhas para o réveillon. Passar no apartamento do meu primo, me embebedar e falar besteira; passar com a família, no apartamento de frente para o canal do Jardim de Alah, não me embebedar, dormir cedo e ter sonhos molhados; ou ir para uma festa em um triplex no Humaitá, apartamento de gente desconhecida, três festas em uma, três ambientes com três D.J.s, comida e bebida liberada, possibilidade de mulheres fáceis e bêbadas, eu bêbado, e sabe-se lá o que mais o Destino jogasse nas minhas mãos.
Acabei escolhendo a terceira opção. E olha que titubeei. Se não fosse uma decisão amiga, na certa ficaria em casa, pensando besteira, invejando meio mundo e imaginando como seria o meu réveillon perfeito. Mas eu já estava de saco cheio desse esquema. Era meu primeiro réveillon na condição de divorciado, catzo! Depois disso, seria outro esquema, tão ou mais certinho quanto o anterior.
A festa foi decente. Eu me diverti muito em meio a pessoas que se divertiram. Eu não conhecia quase ninguém e quase ninguém me conhecia. Isto é o que eu chamo de equilíbrio.
Eu tinha algumas escolhas para o réveillon. Passar no apartamento do meu primo, me embebedar e falar besteira; passar com a família, no apartamento de frente para o canal do Jardim de Alah, não me embebedar, dormir cedo e ter sonhos molhados; ou ir para uma festa em um triplex no Humaitá, apartamento de gente desconhecida, três festas em uma, três ambientes com três D.J.s, comida e bebida liberada, possibilidade de mulheres fáceis e bêbadas, eu bêbado, e sabe-se lá o que mais o Destino jogasse nas minhas mãos.
Acabei escolhendo a terceira opção. E olha que titubeei. Se não fosse uma decisão amiga, na certa ficaria em casa, pensando besteira, invejando meio mundo e imaginando como seria o meu réveillon perfeito. Mas eu já estava de saco cheio desse esquema. Era meu primeiro réveillon na condição de divorciado, catzo! Depois disso, seria outro esquema, tão ou mais certinho quanto o anterior.
A festa foi decente. Eu me diverti muito em meio a pessoas que se divertiram. Eu não conhecia quase ninguém e quase ninguém me conhecia. Isto é o que eu chamo de equilíbrio.
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