segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Quando meus neurônios são reféns de Philip Stark...
Para acalmar os ânimos, nada melhor que uma explosão de futilidades neste apartamento. Vou mudar a decoração da porta da geladeira: adeus imãs-souvenirs de Buenos Aires e bonecas decorativas. Vou tascar a foto do Yoda, a foto do Marlon Brando, o adesivo do D.F.C., um desenho do Morto Fumante (de minha autoria, obrigado...), e demais recortes interessantes e insólitos. Alguns dirão que ficou ridículo, que a geladeira foi transformada em porta-penduricalho, que eu, mais uma vez, estou perdido. Talvez, mas agora só tenho que dar satisfações “artísticas” para meus mecenas e para mim mesmo. E já vou avisando: a decoração dos quartos, do banheiro social e da sala de estar também vai mudar. Frente ao silencioso turbilhão de um divórcio, Revolução Cultural chinesa perde feio.
Final de Semana: um espécime em extinção
No sábado, levanto cedo e vou fazer compras no Pão-de-Açucar. A ex vai ao Ceasa comprar brócolis, manga, aspargos, couve-flor, alface e alcachofra. Quando não tem almoço nos ex-sogros (dos quais não participo há algumas semanas), almoçamos juntos em casa. Ela cozinha, eu abro a cerveja e o pacote de Ruffles. Lá fora, os cães ladram afoitos sob um sol de 33 graus e uma umidade de 18%. Após o almoço, ela sai e eu faço minhas coisas (i.e. textos, arrumações, broncas). À noite, ela sai com as amigas e eu, se bobear, saio com alguém que não tem nada a fazer e que quer tomar cerveja ou falar de música. Ou então assisto a algum filme de terror dos bons na companhia de um sanduíche entope-artéria e um suco de maracujá.
No domingo, ela sai para caminhar e correr. Eu fico em casa e escrevo. Almoçamos fora ou pedimos algo. Vemos “Betty, a Feia” ou “Samantha Who”. Ela vai tirar um cochilo. Eu volto pros textos e pra papelada. A família telefona. Minha barriga dói pois comi muito. Ela sai com as amigas: cinema, cafezinho, papo de mulher. Eu fico escutando música, tomando Schweppes (o amarelo, com quinino) e desenhando. A noite cai sobre Hardcore Brasília e eu fico com a sensação de que aproveitei mal meu final de semana, mesmo se esses dois dias não diferem muito dos outros cinco.
Final de semana é um bicho exótico.
No domingo, ela sai para caminhar e correr. Eu fico em casa e escrevo. Almoçamos fora ou pedimos algo. Vemos “Betty, a Feia” ou “Samantha Who”. Ela vai tirar um cochilo. Eu volto pros textos e pra papelada. A família telefona. Minha barriga dói pois comi muito. Ela sai com as amigas: cinema, cafezinho, papo de mulher. Eu fico escutando música, tomando Schweppes (o amarelo, com quinino) e desenhando. A noite cai sobre Hardcore Brasília e eu fico com a sensação de que aproveitei mal meu final de semana, mesmo se esses dois dias não diferem muito dos outros cinco.
Final de semana é um bicho exótico.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Um pé na bunda cadavérica de Gustav Klimt
A ex adora Gustav Klimt. Especialmente um quadro intitulado “O Beijo”, executado entre os anos de 1907 e 1908, e cujos modelos foram ninguém menos que o próprio Klimt e uma de suas amantes. De minha parte, acho que o quadro em questão não figura entre os melhores do pintor. Mas isso não interessa. O que interessa é que lá em casa existem uns quatro ou cinco livros sobre a obra de Klimt, além de uma reprodução devidamente emoldurada – do tal do “beijo” – que decorava a cama de casal. Isso tudo vai se mandar daqui de casa. Sai Klimt e entra Moebius. Sai Klimt e entram os cartazes do AC/DC, do Monty Python e do Karl Blossfeldt. Se bobear, coloco o cartaz original da guerra nipo-russa de 1905. Raridade, ainda mais em se tratando de um cartaz cuja notícia – uma bela peça de propaganda – é a derrota da marinha japonesa frente aos encouraçados czaristas (foi exatamente o contrário...). Não deixaria de ser simbólico.
Meu Reino por um Cinzeiro
Minha ex deu a péssima notícia de que o advogado que cuidaria dos papéis do nosso divórcio cobraria 3000 reais para fazê-lo. Com 3000 reais, eu contrato cem imigrantes paraguaios para transformar o dito advogado em jantar ao som de Danko Jones e Chicago. Fico sem divórcio, mas pelo menos dou umas risadas. Isso me faz lembrar daquela piada de como você faz com que 100 advogados caibam em um cinzeiro. Deixa pra lá. Essa burocracia bem que podia dar uma trégua. Para casar, você paga menos de 100 paus, mas para divorciar você paga os olhos da cara (se bobear, mais que isso...). Devia ter algum sistema eletrônico que possibilitasse a oficialização do divórcio com apenas um toque de botão, ou algum disque-divórcio, algo assim.
Dias depois, minha ex anunciou a boa nova. Ela encontrou uma advogada que cuidaria da papelada por 1000 mangos. Aí dá pra negociar. Vamos até pagar em duas vezes, sem juros.
Dias depois, minha ex anunciou a boa nova. Ela encontrou uma advogada que cuidaria da papelada por 1000 mangos. Aí dá pra negociar. Vamos até pagar em duas vezes, sem juros.
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Ações e Reações
Contar sobre o nosso divórcio para os meus pais foi uma novela. Demorei um pouco. Minha ex-esposa já tinha contado para os dela semanas antes, por meio de sua irmão mais velha (que, aliás, é minha dentista). No final, deu tudo certo; eles entenderam, e minha mãe veio com aquele papo de “coração de mãe não se engana...”. Aliás, minha mãe soube da novidade assim que chegou do cinema, onde assistiu ao filme “Mamma Mia” (que recomenda fortemente...). Meu pai, que estava de passagem por Brasília, conversou sobre o assunto indiretamente, sem estresse algum, enquanto comíamos no Fritz e no Carpe Diem. Meu irmão nem tocou no assunto, e tratou de saber se eu voltaria a desenhar minhas histórias em quadrinhos.
Já meus sogros receberam a notícia com estranheza. Segundo minha ex, meu ex-sogro não quer falar comigo por enquanto. No final de semana em que se comemorava seu aniversário, não fui à churrascaria partilhar da alegria oriunda da comemoração. Assim como não fui lanchar na casa dos ex-sogros como fazia de vez em quando. A viagem em família para Gramado, no final do ano, também vai ser realizada sem a minha presença.
Faz parte.
Já meus sogros receberam a notícia com estranheza. Segundo minha ex, meu ex-sogro não quer falar comigo por enquanto. No final de semana em que se comemorava seu aniversário, não fui à churrascaria partilhar da alegria oriunda da comemoração. Assim como não fui lanchar na casa dos ex-sogros como fazia de vez em quando. A viagem em família para Gramado, no final do ano, também vai ser realizada sem a minha presença.
Faz parte.
Tinta como alimento para um divorciado
Estou voltando a desenhar a todo vapor. Em um mês, terminei um caderno de esboços e comecei outro. Criei três personagens e já estou pensando em seguir os passos do Allan Sieber ou do André Dahmer, e publicar umas tirinhas em alguma página virtual.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
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